8 substâncias com atividade fisiológica comercializadas pela Wako

27th November 2014

8 substâncias com atividade fisiológica comercializadas pela WakoNeste artigo será comentada a utilidade de oito substâncias fisiologicamente ativas que podem ser encontradas nos catálogos da Wako, entre muitos outros compostos com atividade fisiológica e úteis nas investigações relacionadas com a biomedicina. Alguns destes compostos já são utilizados como fármacos mas continuam sendo objeto de estudo para que se entenda por completo os mecanismos ação, provar a sua eficácia noutras doenças ou sintetizar derivados com melhores propriedades. Outras das substâncias descritas podem atuar inibindo ou ativando enzimas do organismo, sendo utilizadas em estudos de patologias relacionadas com o incorreto funcionamento destas enzimas.

1. Carbenicilina

A carbenicilina é comercializada pela Wako com fins investigativos, à semelhança do resto dos compostos descritos neste artigo. A carbenicilina é um inibidor da síntese da parede celular em bactérias e, como tal, utilizada como antibiótico. Ataca mais frequentemente as bactérias Gram negativas, ainda que não deixe de ser ativa face a algumas Gram positivas, impedindo o processo de transpeptidação necessário para a formação, ou em alguns casos reparação, da parede bacteriana.

2. PAQ-22

Pela sigla PAQ-22 conhece-se um inibidor de aminopeptidase sensível à puromicina. Esta aminopeptidase pode ser encontrada no cérebro e nos neurónios e a sua função específica ainda é alvo de estudo, ainda que se reconheça que é capaz de eliminar o resíduo N-terminal da proteína Tau e pelo que também se investiga a sua relação com a doença de Alzheimer. A PAQ-22, 3-(2,6-dietilfenil)-2,4-quinazolinadiona é uma molécula não peptídica, pequena e que atua por inibição não competitiva. Um derivado fluorescente desta molécula, o DAMPAQ-22 pode ser utilizado para a marcação das aminopeptidases sensíveis à puromicina (PSA) em células vivas. Tanto o PAQ-22 como o derivado fluorescente servem para estudar processos neurológicos, sendo portanto produtos a ter em conta para investigação em neurociências.

3. Cloranfenicol

O cloranfenicol é um composto muito conhecido pela sua atividade antibiótica. É usado desde meados do século passado com grande eficácia para um amplo espectro de bactérias. A sua ação baseia-se na inibição da atividade da peptidil-transferase ribossomal e as suas aplicações mais extensas são talvez o tratamento das infeções oculares e a meningite, como antibiótico de eleição em muitos casos de pacientes com alergias e em países em que os antibióticos de última geração não estão ao alcance da população. Ainda que a atividade fisiológica do cloranfenicol se conheça já há alguns anos, estudos posteriores comprovaram evidências da sua toxicidade, sobretudo em recém-nascidos, sendo apenas prescrito em casos de necessidade iminente.

4. Idebenona

O análogo sintético da coenzima Q10, idebenona, é uma metil dimetoxi benzoquinona com uma cadeia lateral de dez carbonos que revela um efeito estabilizador da membrana lisossomal e inibe a ação da fosfodiesterase cAMP. Além disso, observou-se que esta quinona é capaz de inibir a peroxidação de lípidos nas mitocôndrias cerebrais de mamíferos. É um composto que se testou face a diversas doenças neurodegenerativas como a Doença de Alzheimer e a Ataxia de Friedreich com a sua utilização apenas aprovada em alguns países e dependendo das condições do paciente em particular. A coenzima Q10 trata-se de uma substância endógena da mitocôndria humana, a ubiquinona. Esta enzima participa na obtenção de energia por parte das células e foi estudada como alvo terapêutico para diversas patologias, não tendo no entanto sido comprovada a sua atividade como fármaco. Especulou-se sobre o efeito positivo da ubiquinona em pacientes com doenças cardiovasculares ou cancro por exemplo. Ainda que esteja demonstrado o seu efeito antioxidante, os estudos clínicos sobre a sua atividade não se encontram bem sustentados. Por estes motivos, os possíveis benefícios no tratamento de doenças com idebenona como molécula análoga da coenzima Q10 continuam sob investigação.

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5. Ciclosporina A

A ciclosporina A é um potente agente imunossupressor aprovado há já vários anos para tratar pacientes que tenham recebido um transplante de órgão. A sua ação baseia-se principalmente na inibição da síntese da interleucina II, atuando contudo noutros processos imunológicos. A ciclosporina A utilizada como imunossupressor para impedir a rejeição nos transplantados é bastante eficaz, assim como a sua ação no tratamento da psoríase, da secura crónica dos olhos ou da artrite. Este fármaco não deixa de ter bastantes efeitos adversos associados à sua utilização com investigações em curso que o focam o seu mecanismo de ação e possíveis análogos. Em determinadas ocasiões as investigações efetuadas concluíram que o seu uso em simultâneo com outras substâncias ativas podem resultar na eliminação de alguns dos efeitos provocados pela sua administração sem que se altere a sua ação terapêutica.

6. Micalolida B

Este composto inibidor da actina foi isolado da esponja marinha Mycalide sp. e tem uma estrutura de macrólido, contendo um tris-oxazol como grupo caraterístico dentro da cadeia de macrolactona. Atua despolimerizando a actina, proteína que se encontra no citoesqueleto. A micalolida B forma complexos estáveis com os monómeros de actina (actina G) impedindo a sua polimerização, além de despolimerizar a actina F que é a que já se encontra sob a forma de um polímero. Devido à grande quantidade de proteínas que interagem com a actina e aos diversos processos em que esta proteína participa, contar com um agente inibidor para montagem experimental torna-se uma verdadeira mais-valia. Esta substância utiliza-se em investigações de processos relacionados com o citoesqueleto e em ensaios em que se torna necessário despolimerizar a actina para observar as modificações que ocorrem na célula sem interação dos microfilamentos desta proteína.

7. Concanamicina A

Entre os antibióticos do tipo dos macrólidos encontra-se a concanamicina A. Este composto é inibidor da enzima ATPase H+ de tipo vacuolar (V-ATPasa) que, além de estar implicada em diversos processos das células eucariotas, a sua regulação está relacionada com algumas doenças. A concanamicina A tem também efeito citotóxico através da perforina, o que a torna interessante para estudos da lise celular. Realizaram-se alguns estudos com vírus utilizando a concanamicina A e observou-se que impede a entrada de muitos vírus nas células in vitro, evitando assim processos infecciosos.

8. Deguelin

O deguelin é um composto natural que pode ser obtido a partir de algumas leguminosas e caracteriza-se pelo seu poder inibidor da proteína cinase B. É considerado como um composto anticancerígeno já que atua sobre células cancerígenas provocando apoptose. Sabe-se que é capaz de formar um complexo com a proteína Hsp90 (proteína do choque térmico) suprimindo a sua atividade. A proteína Hsp90 é uma das responsáveis pela adaptação do cancro ao meio, protegendo-o das diferentes condições de stress a que se pode submeter. Como sucede frequentemente com os compostos naturais, esta substância possui mais do que um único efeito no organismo pelo que se deverá continuar a investigar o seu potencial como fármaco e toxicidade. No entanto, algo já é claro: o deguelin e alguns dos seus derivados, já em estudos clínicos, são compostos promissores para tratar pacientes com cancro.

Bibliografia:

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Por: Lisa Komski Em: Produtos Wako